A fórmula
O preço mínimo da sua hora de trabalho vem de uma conta simples:
Valor da hora = (renda desejada + custos fixos + DAS) ÷ horas faturáveis por mês × (1 + margem)
Cada termo tem um papel específico:
- Renda desejada: o que você quer que sobre no fim do mês, livre, depois de pagar tudo. É o seu salário.
- Custos fixos: internet, aluguel do espaço de trabalho, softwares, transporte e qualquer outro gasto do negócio que se repete todo mês.
- DAS: a guia mensal do MEI, que também é um custo fixo, mas entra separado porque muda conforme a atividade.
- Horas faturáveis por mês: quantas horas você realmente cobra de clientes, descontando férias, feriados e tempo administrativo.
- Margem de segurança: um percentual extra para cobrir meses fracos, imprevistos e clientes que atrasam pagamento.
Juntando tudo, você chega ao piso: o valor mínimo que cobre seus custos e sua meta de renda, com uma folga para os imprevistos do dia a dia.
Exemplo
Imagine que você quer ganhar R$ 4.000 por mês, tem R$ 500 de custos fixos e é MEI de serviços, com DAS de R$ 86,05. A soma desses três valores é a base do cálculo.
Para as horas faturáveis, considere 8 horas por dia, 5 dias por semana, com 4 semanas de folga por ano (férias, feriados e imprevistos). Isso dá 48 semanas de trabalho no ano. Multiplicando 8 horas por 5 dias e por 48 semanas, e dividindo por 12 meses, chegamos a 160 horas faturáveis por mês.
Aplicando a margem de segurança de 20% sobre o custo total, o valor mínimo da hora fica em R$ 34,40. A partir dele, dá para calcular outros valores:
- Valor do dia (8 horas): R$ 275,20.
- Valor de um serviço típico de 2 horas: R$ 68,80.
Esses números são o piso: o mínimo para cobrir suas contas e sua meta de renda com a margem definida, sem considerar ainda quanto o mercado está disposto a pagar.
Horas faturáveis x horas trabalhadas
Nem toda hora que você passa trabalhando é uma hora que você cobra de um cliente. Tempo com orçamento, deslocamento até um cliente, divulgação nas redes sociais e tarefas administrativas, como emitir nota fiscal e organizar as finanças, normalmente não entram na conta.
Se uma parte grande do seu dia é ocupada com essas atividades, vale ser realista na calculadora: em vez de informar 8 horas por dia, use 5 ou 6. Isso aumenta o valor da hora calculado, porque o mesmo custo total precisa ser coberto em menos horas cobradas, refletindo melhor o que você realmente fatura no fim do mês.
Vale anotar, por algumas semanas, quanto tempo realmente vira trabalho cobrável e quanto vira tarefa de bastidor. Esse número costuma surpreender: é comum que orçamento, deslocamento e organização financeira tomem uma fatia maior do dia do que parece à primeira vista, e ignorar isso é uma das causas mais comuns de subprecificação entre MEIs.
Custos que você pode esquecer
Além do DAS e dos custos fixos óbvios, alguns gastos costumam passar despercebidos na hora de montar o preço:
- Taxas de maquininha e gateways de pagamento, que descontam um percentual de cada venda.
- Assinaturas de softwares usados no trabalho, mesmo os baratos, que somam ao longo do ano.
- Celular e plano de dados, quando usados para atender clientes.
- Transporte, incluindo combustível, aplicativo ou transporte público até clientes e fornecedores.
- Reserva para trocar equipamentos, como computador ou ferramentas de trabalho, que se desgastam com o tempo.
- Previdência complementar ou previdência privada, já que a aposentadoria do MEI é de um salário mínimo.
Incluir esses custos na conta evita a armadilha de cobrar um preço que parece bom no papel, mas com o qual não sobra nada no fim do mês.
Como comparar com o mercado
O valor calculado aqui é o piso, não o preço final. Antes de fechar o número, vale pesquisar:
- Preços cobrados por concorrentes diretos na sua região ou área de atuação.
- Faixas de preço em plataformas de freelancers para o mesmo tipo de serviço.
- Conversas em grupos e comunidades do seu setor, onde profissionais costumam compartilhar faixas de valores.
Se o mercado paga mais que o seu piso, cobre o valor de mercado: a diferença vira lucro extra ou reserva para os meses mais fracos. Se o mercado paga menos que o seu piso, pode ser sinal de que os custos ou a meta de renda precisam ser revistos, ou de que vale buscar um nicho mais bem pago.
Também vale revisar o preço de tempos em tempos. Custos fixos mudam, o salário mínimo (e o DAS) sobem todo ano, e a sua experiência aumenta o valor que você consegue entregar. Um preço que fazia sentido há um ano pode já não cobrir seus custos hoje.
Depois de definir seu preço, veja se ele faz sentido comparado a um salário CLT na calculadora MEI ou CLT, e confirme o valor exato do seu DAS na calculadora do DAS MEI.