MEI ou CLT: quanto preciso faturar?

Informe seu salário CLT e veja quanto precisaria faturar como MEI para ganhar o mesmo.

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VR, VA, plano de saúde pago pela empresa.
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Ex.: plano de saúde próprio, equipamentos.

Estimativa com base nas regras de 2026 (atualizadas em 24/09/2026). Confirme com um contador antes de tomar decisões.

O que entra na conta

Comparar CLT com MEI não é só olhar o salário bruto contra o faturamento. São formas diferentes de receber dinheiro, com direitos e custos distintos. Para chegar a um número comparável, a calculadora acima considera:

  • Salário líquido: o salário bruto menos o INSS (tabela progressiva de 2026) e o IRRF (também com a tabela de 2026, que dá isenção a quem ganha até R$ 5.000 por causa da redução criada pela Lei 15.270/2025).
  • Férias com 1/3: o mês de férias é pago com um terço a mais (por isso a conta usa 11 salários normais mais um mês de férias com 1/3), também líquido de INSS e IRRF.
  • 13º salário: mais um salário líquido por ano.
  • FGTS: 8% do salário bruto, depositado todo mês pela empresa, mais o valor proporcional sobre férias e 13º.
  • Benefícios: vale-refeição, vale-alimentação, plano de saúde pago pela empresa, quando existirem.

Somando tudo isso, chegamos ao custo total que o trabalho CLT representa por ano. Depois, dividimos esse total por 12 e comparamos com o que seria necessário faturar como MEI, incluindo o DAS mensal e eventuais custos extras do negócio.

Essa conta é uma aproximação, não uma fórmula exata de contabilidade. O 13º salário, por exemplo, aparece aqui com o mesmo desconto do salário normal, para simplificar, embora na prática a alíquota de IRRF sobre o 13º seja calculada separadamente. A ideia é dar uma referência confiável para comparar as duas situações, não substituir um cálculo trabalhista detalhado.

Exemplo com salário de R$ 3.000

Pegue um salário bruto de R$ 3.000 por mês, sem benefícios e sem custos extras como MEI. O salário líquido, depois de INSS e IRRF, fica em R$ 2.751,40.

Ao longo do ano, esse trabalhador recebe:

  • 11 salários líquidos de R$ 2.751,40.
  • Férias com 1/3, líquidas: R$ 3.631,40.
  • 13º salário líquido (aproximado): R$ 2.751,40.
  • FGTS acumulado no ano: R$ 3.200,00.

Somando tudo, o total CLT no ano fica em R$ 39.848,20. Para um MEI de serviços igualar esse valor, incluindo o DAS de R$ 86,05 por mês, ele precisaria faturar R$ 3.406,73 por mês, ou R$ 40.880,80 no ano. Ou seja, cerca de 13,6% a mais que o salário bruto original, só para cobrir o que a CLT oferece a mais.

O que o MEI ganha e perde

Ser MEI tem vantagens e desvantagens claras na comparação com a carteira assinada.

Prós do MEI:

  • Flexibilidade para escolher horários e forma de trabalhar.
  • Possibilidade de atender vários clientes ao mesmo tempo, em vez de um único empregador.
  • DAS fixo e baixo, que não sobe com o faturamento dentro do teto do MEI.

Contras do MEI:

  • Sem férias remuneradas: se parar de trabalhar, não recebe nada naquele período.
  • Sem 13º salário.
  • Sem FGTS, que serve como reserva para demissão ou compra de imóvel.
  • Sem seguro-desemprego em caso de queda de faturamento.

Por isso o faturamento como MEI precisa ser maior que o salário CLT: parte dele precisa cobrir o que a CLT garante automaticamente.

Teto do MEI

O MEI tem um limite de R$ 81.000 de faturamento por ano. Isso significa que, a partir de um certo salário CLT, não é mais possível replicar o mesmo padrão de vida como MEI sem estourar o teto.

Na prática, sem benefícios, um salário CLT de cerca de R$ 7.000 por mês já leva o faturamento equivalente acima de R$ 81.000; com VR, plano de saúde ou custos extras, esse ponto chega antes. Nesses casos, quem quer migrar para prestação de serviços autônoma normalmente precisa considerar abrir uma ME em vez de continuar MEI.

Vale lembrar que esse teto é sobre o faturamento total do CNPJ, não sobre o que sobra depois dos custos. Se você tem despesas relevantes com equipamentos, softwares ou deslocamento, o espaço até o teto fica ainda menor, porque essas despesas também precisam caber dentro do limite anual, junto com a parte que vira renda para você.

Cuidados com a pejotização

Às vezes uma empresa propõe trocar a carteira assinada por um contrato como MEI ou outra pessoa jurídica, mantendo a mesma rotina de trabalho: mesmo horário, mesmo local, mesmas ordens de um superior. Isso é chamado de “pejotização” e pode ser considerado, pela Justiça do Trabalho, um vínculo de emprego disfarçado, mesmo com um contrato de prestação de serviços assinado.

Se você está pensando em fazer essa troca no mesmo trabalho, ou recebeu essa proposta do seu empregador, vale conversar com um advogado trabalhista antes de aceitar. Nem toda mudança para MEI é irregular, mas a linha entre autonomia real e vínculo disfarçado depende dos detalhes de cada caso, como o grau de controle sobre horários, a exclusividade e quem fornece as ferramentas de trabalho.

Depois de comparar CLT e MEI, o próximo passo é saber quanto cobrar de verdade pelos seus serviços. Veja a calculadora de quanto cobrar como MEI para chegar a um valor de hora e de projeto que cubra seus custos e sua meta de renda.

Perguntas frequentes

Quanto preciso faturar como MEI para ganhar o mesmo que na CLT?

Depende do salário. Com R$ 3.000, o equivalente é cerca de R$ 3.407 por mês de faturamento como MEI (13,6% a mais). Em salários mais altos a diferença diminui, porque o trabalhador CLT paga mais INSS e IR.

MEI tem direito a férias e 13º?

Não. O MEI é dono do próprio negócio, então não tem férias remuneradas, 13º salário, FGTS nem seguro-desemprego. Se quiser essas proteções, precisa guardar dinheiro por conta própria.

O MEI tem aposentadoria?

Tem direito à aposentadoria por idade com valor de um salário mínimo, além de auxílio-doença e salário-maternidade, porque o DAS inclui a contribuição ao INSS. Para ter aposentadoria acima do mínimo, é preciso outra fonte de contribuição (por exemplo, um emprego CLT) ou previdência privada.

Posso ser CLT e MEI ao mesmo tempo?

Pode, desde que a atividade do MEI seja permitida e não haja impedimento no seu contrato de trabalho. Se for demitido, ter um CNPJ de MEI ativo pode bloquear o seguro-desemprego; é possível recorrer provando que o MEI não gera renda suficiente para o sustento.

Trocar CLT por MEI (PJ) no mesmo trabalho é permitido?

Se houver subordinação, horário fixo e pessoalidade, a Justiça pode considerar vínculo de emprego disfarçado ("pejotização"). Converse com um advogado trabalhista antes de aceitar essa troca.